Fragmentos de Filosofia
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Deus é ínsito, não está em lugar nenhum fora de nós.
As palavras abaixo são de Baruch Espinoza
- nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi
um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna,
juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica
portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico
moderno.
Acredite, essas palavras abaixo foram
ditas em pleno Século XVII.
DEUS SEGUNDO SPINOZA
(Deus falando com você)
“Pára de ficar rezando e batendo o
peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz
para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres,
obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí
é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida
miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou
que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e
com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me
culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras
sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa
paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... então não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu
vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não
te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou
puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a
perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de
sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a
algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem
te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que
não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer
isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento,
qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que
não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um
degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há
prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um
céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois
desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se
esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se
não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem
certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te
perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que
aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor,
adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em
ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua
filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus
ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que
agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria!
Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de
repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu
estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora!
Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."
